segunda-feira, julho 20, 2009

Eu te amo e suas estréias

Te amo mais uma vez esta noite
talvez nunca tenha cometido “euteamo”
assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato
e no parco dos dias.
Não importa, importa é a alegria límpida
de poder deslocar o “Eu te amo”
de um único definitivo dia
que parece bastá-lo como juramento
e cuja repetição, parece maculá-lo ou duvidá-lo...
Qual nada!
Pois que o euteamo é da dinâmica dos dias
É do melhoramento do amor
É do avanço dele
É verbo de consistência
É conjugação de alquimia
É do departamento das coisas eternas
que se repetem variadas e iguais todos os dias
na fartura das rotações e seus relógios de colmeias
no ciclo das noites e na eternidade das estréias:
O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com
novidade diária
e aí dizemos em espanto bom: Que dia lindo!
E é! Porque só aquele dia lindo
é lindo como aquele.
Nossa sede, por mais primitiva,
é sempre uma
loucura da falta inédita
até o paraíso da água nova
no deserto da nova goela.
Ela, a água,
a transparente obviedade que
habita nosso corpo
e nos exige reposição cujo modo é o
prazer.
Vê: tudo em nós comemora
o novo milenar de si
todas as horas:
Comer é novidade
Dormir é novidade
Doer é novidade
Sorrir é novidade
Maravilhosa repetitiva verdade que se
expõe em cachos a nosso dispor
variando em sabor e temor e glória
Por isso te amo agora como nunca antes
Porque quando te amei ontem
eu te amava naquele tempo
e sou hoje o gerúndio daquela disposição de verbo
Te amo hoje com você dentro
embora sem você perto
Te amo em viagem
portanto em viragem diferente da que quando
estava perto
Meu certo é alto, forte
Te amo como nunca amei
você longe, meu continente, meu rei
Eu te amo quantas vezes for sentido
e só nesse motivo é que te amarei

Elisa Lucinda

quinta-feira, julho 09, 2009

EU

Todo mundo guarda um segredo ou vários. Mas isso não é novidade, é mais metafórico mesmo. Tem sempre um pedaço de si mesmo que você não quer ou não permite que os outros conheçam. Não dá para ficar se abrindo por aí e desabafando os próprios medos e anseios para todo mundo ouvir. Há motivos e razões que são muito peculiares e pertencentes com tamanha intimidade a cada um que ficam guardados de uma forma especial dentro de nós. Nunca será possível decifrar todo um ser humano apenas com o olhar, com a convivência, com o passar dos dias e horas. Há sempre mais a descobrir, há sempre alguma coisa bem guardada. Tem certas coisas que nem nós mesmos somos capazes de revirar e trazer à tona. Acredito na simplicidade da vida e das coisas, mas nunca dos homens. O ser humano é muito complexo em si mesmo, o que acaba, de forma inevitável, influenciando na vida como um todo, tornando-a não tão simples assim. Gosto de ter um lugar dentro de mim que só eu sei o caminho. Aquele “eu” que está ali pronto só para mim, sempre que eu precisar. É a esse ser que me habita que eu devo explicações, satisfações e obediência. Não me preocupo, jamais, com o julgamento alheio, mas com o meu próprio, porque no fundo, bem lá no fundo, nós sempre sabemos diferenciar o certo do errado, o verdadeiro do falso, a felicidade da tristeza. A isso que chamamos de intuição e eu de amor próprio que devemos estar sempre conectados, porque este funciona como uma espécie de radar e eu desconheço alguém que tenha se arrependido por ter lhe dado a devida atenção.