Eu costumava escrever mais. Sabia
que tinha gente ruim no mundo. Mas sempre existiu uma força dentro de mim que
acreditava que as pessoas potencialmente boas eram maioria. Isso faz uns 10
anos. Era mais ingênuo, inocente, acreditava nas pessoas com certa facilidade
que demonstrava uma fragilidade que, de fato existia, mas me fazia sentir bem
mais leve do que hoje. Não era mais ou menos feliz, era apenas menos
desconfiado. Mais leve. O tempo vai passando e a bagagem fica cada vez mais
pesada. Hoje me decepciono mais do que me surpreendo positivamente. Já não
consigo me doar tanto nas minhas relações afetivas e não confio nem na minha
sombra. Costumava ter uma verdade, mas ela já foi moldada tantas vezes e tantas
outras coisas aconteceram no caminho, que distinguir o certo do errado se torna
uma tarefa cada dia mais difícil. Existe sempre justificativa pra tudo. E, de
fato, cada um, no seu infinito particular, tem suas verdades, histórias, passado,
presente e futuro. Mas dói. Dói abrir mão do absoluto pelo relativo. A
fragilidade de ontem é completamente diferente da de hoje, mas continuo frágil.
Tentando entender a dinâmica das relações humanas, cada vez mais sufocadas,
expostas e falsificadas. Tá tudo certo e errado ao mesmo tempo. Salve-se quem
puder. Achava ter o controle de tudo, ou pelo menos da minha própria vida. O
mais difícil foi perceber que são muitos os fatores externos que impactam na
minha trajetória queira eu ou não. É de perder o chão. E se encontrar de novo.
A cada dia. É a dinâmica da própria vida e não vai ficando mais fácil com o
tempo. Mas pode ficar mais leve. A cada caminhada, um pedaço da bagagem pode
ficar por aí. Assim, sem querer, só porque passou. Ou a ferida cicatrizou.
Leveza não é questão de escolha. Um dia eu fico mais leve, no outro um peso só.
E vou caminhando. Tentando entender o impossível, mas não mais com a presunção
de controlar nem a minha vida, muito menos a de todos que estão ao meu redor. Certo
é que eu não tenho mais a absoluta certeza de nada. Mas a vida é muito para eu
segurar em minhas mãos. Quanto mais eu permanecer com os meus braços abertos
melhor. Ainda que nem tudo que venha sejam flores. Então me atiro no escuro
todos os dias esperando, torcendo para que sejam melhores, mas conformado de
que se não forem, tá tudo bem. Viver, por si só, já vale o risco.
sexta-feira, junho 05, 2015
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
Pobre de mim
Hoje, ao voltar do almoço me deparei com um grupo
de alunos do IBMEC, veteranos e calouros, os últimos, “coitados”, fazendo o
famoso e ultrapassado elefantinho, nesse sol de rachar, com sensação térmica de
quase 50º no Rio de Janeiro.
Nossa!!! Aquele falatório e a alegria
generalizada me fizeram sentir uma saudade imensa de quando entrei na
faculdade, do trote, da celebração, da excitação com o novo, dos novos amigos que
seriam para a vida toda. Afinal, por que não?
Também fazia um calor intenso na minha semana e
chovia torrencialmente à tarde. O centro do Rio alagava, era um horror, fiquei
com “UFRJ” marcado na testa por uns dias, por causa do sol. Mas foi muito,
muito, muito divertido. Tive sorte e excelentes veteranos e colegas de turma
que me remetem a momentos memoráveis desse tempo.
Ainda assim, naquela época eu acreditava que somente
seria plenamente feliz quando me formasse, tivesse um bom emprego, estabilidade
financeira e a liberdade para fazer o que me desse na telha, quando quisesse,
sem ter que dar satisfação a ninguém.
Pobre de mim. Mal sabia o quanto estava sendo absolutamente feliz naquele momento, um grande erro que tanto cometemos diariamente.
Hoje, 11 anos depois e com quase 30 na cara, não
me permito mais relembrar o passado com saudosismo exacerbado. Faço o possível (e não é tarefa fácil),
para não projetar demais minha felicidade no futuro, e agradeço e busco ser
feliz todos os dias. Já não tenho tanto tempo como antes e reservo ao futuro,
apenas a esperança de dias mais felizes ainda, sem focar necessariamente nele.
Porque pra ser feliz, só se for agora.
Após olhar aqueles alunos, suspirei. E desejei que eles soubessem aproveitar ao máximo aquele momento.
Me deu vontade de gritar:
Mas que vida boaaaaaa!!! Aproveitem!!!!
segunda-feira, janeiro 28, 2013
SAUDADE
Sou um saudosista por excelência. Sinto saudades de tudo, de todos e, principalmente, de coisas que ainda nem vivi. São tantas as expectativas para o futuro, os sonhos, os castelos de areia ainda intactos, prontos para serem desmoronados com as intempéries da vida que necessariamente irão acontecer, ainda que sejam para nos deixarem mais fortes e ainda mais obstinados nessa busca incessante pelo reconhecimento e felicidade.
Fico ainda com mais saudade de tudo quando vejo e leio tanta tristeza das dezenas de famílias e amigos que perderam seus entes queridos, nesse triste episódio ocorrido em Santa Maria/RS nesse último final de semana.
Fico me perguntando quantos abraços, "eu te amos" e tantas outras demonstrações de carinho foram adiados para sempre. Me bate uma tristeza em saber que não há mais amanhã para jovens que tinham no futuro a sua força de viver. E penso que essa saudade imensa que eu sinto o tempo todo vem de um estranho pesar guardado bem lá no fundo do peito de que amanhã talvez eu possa não estar mais aqui ou não ter alguém que eu amo tanto ao meu lado.
Independente do que eu faça e, por melhor que eu faça, essa saudade permanece. Não é medo, é saudade! E saudade, palavra que não existe em mais lugar nenhum do mundo é o que me resta, frente a essa grandiosa insignificante pequenez que é a vida.
E para que essa saudade seja mais suportável para mim e para tantos outros que compartilham desse mesmo sentimento, desejo que os "eu te amo" sejam infinitos, que a felicidade seja uma constante, que muitas aventuras apareçam, que o céu seja o limite, que o amor contagie, que não exista medo, menos insegurança, mais esperança, muita saúde, grandes abraços, muitos momentos felizes com a família, um caminhão de bons e queridos amigos, e mais, bem mais que isso tudo e MUITA, MUITA, MUITA, VIDA, VIDA, VIDA, VIDA, VIDA!!!
segunda-feira, setembro 05, 2011
E a vida o que é?
Eu tenho uma adoração que beira o fanatismo pela vida. Não tenho a menor vocação para assistir minha vida passar sem agarrá-la com todas as minhas forças. Eu amo viver. No noticiário diariamente se anuncia o fim do mundo e eu ainda continuo acreditando na humanidade. Afinal, nós somos parte dela. Eu tenho medo da morte. E é um medo tão desesperador quanto o amor que tenho pela vida, afinal não consigo cogitar a hipótese de ir embora, ou ver os meus, a quem amo, partir. Sinto saudades de coisas enquanto ainda estou vivendo, sou saudosista demais, sensível demais, apaixonado demais, puto da vida demais. Tudo demais, mas não me permito ser menos. Não suporto a idéia de ser médio, de fazer o mínimo, de acordar pra dormir. Eu penso demais, em muita coisa, o tempo todo. Fico estarrecido olhando a rua pela minha janela. Fico embasbacado com a quantidade de gente que há no mundo com essas minhas viagens por aí afora. A maioria delas não faz a menor idéia que eu existo, mas o importante é que eu sei. Eu comemoro a minha existência. Mas se a vida tem sentido? Não faço a menor idéia. Mas também tenho pouco tempo para teorias existencialistas. Encontro o sentido da minha vida num chopp com os amigos, ou quando dou ou recebo o ombro de um amigo pra chorar. Quando nasce o filho de um amigo ou uma criança na família, quando recebo um carinho, quando a minha irmã diz eu te amo, ou estou andando com minha avó por aí simplesmente para dar e receber companhia. Quando a minha mãe fica desesperada porque está, sei lá, meio dia sem notícias minhas, ou meu pai larga tudo o que está fazendo para me ajudar no que quer que seja. Quando vejo a minha casa cheia de gente brindando a vida, meu coração transbordando de amor e sendo correspondido. Quando me satisfaço com o meu trabalho, recebo um elogio, abro uma lata de coca-cola, ouço a pipoca estourar na panela. Quando mergulho no mar, vou viajar... sei lá. Se a vida tem sentido não sei, mas que a gente vive muita coisa boa para dar sentido à ela, ah e como vive. E você, já deu sentido para sua vida hoje?
terça-feira, maio 17, 2011
O que você quer ver?
É incrível, mas são poucos os que conseguem enxergar que as pessoas não são boas, nem más, elas simplesmente existem e são instigantemente complexas. Não tem tanto para entender assim. É simplesmente mais razoável assumir os nossos próprios erros do que apontar os erros das outras pessoas, rotulando-as. Ninguém é capaz de compreender o outro se, por mais que se engane, jamais será capaz de entender a si mesmo.
Não quero com isso veicular uma falsa idéia de paz e amor e que devemos perdoar quem nos magoou. Não é nada disso. Apenas não acho correto julgar a atitude do outro. Nunca saberemos ao certo avaliar imparcialmente a razão de determinada atitude de alguém, se é que houve alguma razão. Só de tentar já me soa muito mesquinho ou até mesmo arrogante. Claro, nestas situações, ao menos entendo que devemos ter a opção, sem críticas, nem julgamentos, de nos afastar, afinal não precisamos compartilhar nossos bons e maus momentos, e principalmente os maus, com quem não tem nada a lhe acrescentar ou tem idéias e atitudes que não guardam qualquer relação com o que você acredita (mesmo?) que é nesta vida.
Sei lá se eu consegui me fazer entender, mas jamais compreenderei alguém que se sente sábio o suficiente para apontar a atitude de alguém como certo ou errado ou culpar o outro por problemas que ajudou a causar. Por que simplemente não assumir seus próprios erros? Que tamanha covardia!!!!
Gandhi sábio como só ele, certamente não teve apenas ações altruístas, mas entendeu que "devemos ser a mudança que queremos ver no mundo" e isso para mim não é só mais uma citação, daquelas para posar de bonito nas redes sociais, como também uma grande lição de vida, pois é muito mais gratificante buscar sermos melhores a cada dia e, desta forma, cativar boas ações nas outras pessoas, do que viver uma vida procurando culpados para justificar nossas derrotas pessoais.
"É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê"
(Marcelo Camelo)
terça-feira, julho 27, 2010
Como Será o Amanhã?
Há certo momento da nossa vida que deixamos de ser suicidas. Não falo no suicídio propriamente dito, mas naquelas decisões de rompante, sem pensar ou analisar os prós e os contras, com a certeza de que vai dar tudo certo no final. Ao fazer esta reflexão sem abandonar a minha profissão, descobri que há um elemento guardado nestas decisões que demonstra culpabilidade da conduta, ainda que seja mínima. No direito chamamos isso de culpa consciente: a gente toma uma atitude achando que nunca vai acontecer nada e aí quando acontece: F#@deu!!!
Pois é, depois de uns anos, o jargão “vai dar tudo certo no final” perde um pouco o sentido, porque você descobre o elemento culpa, o famoso remorso. O que faz sentido, pois se você olhar pra trás e analisar as enrascadas em que já se envolveu, perceberá que se não deu errado, poderia ter sido melhor se tivesse havido um pouquinho de planejamento.
Aí chegamos a um ponto relevante. Planejamento. Será que é sinal de velhice? Não sei não, vamos ver. Quando não somos integralmente responsáveis pelos nossos atos, quer porque a família está sempre pronta a ajudar, quer porque ainda somos jovens demais para entender certas responsabilidades, temos a tendência a nos atirar ao fundo e esperar que no final do poço tenha água e não concreto. Podemos até achar que a queda será grande, mas não o suficiente para matar, isso não. Só que depois que vamos adquirindo mais e mais responsabilidades, cujo sucesso (ou insucesso) depende apenas de nós mesmos, paramos para pensar mais em como iremos conduzir determinados assuntos. Quer um exemplo, o jogo da roleta russa já está na sexta rodada e você sabe que se apertar o gatilho é você quem morre. Nesta situação você não pararia para pensar se vale realmente a pena jogar?
Mudar a forma de atuação na sua própria vida para uma conduta mais segura, não quer dizer que o frisson de viver acabou ou que a vida ficou chata. Nada disso, quando você começa a dar passos mais conscientes, consegue ter mais prazer no resultado, porque foi uma meta que foi atingida. É claro que devem ainda restar os momentos imprevisíveis que deixam a vida excitante e nos faz ter aquele joguinho de cintura para tudo acontecer da melhor maneira possível. Mas, dada a grandiosidade de fatores externos que podem fazer sua vida virar de um dia para outro, um pouco de planejamento e previsibilidade naquilo que depende um pouco mais de você não é nada mal, não acha?
Assim, o que para uns pode ser sinônimo de velhice, para mim nada mais é do que maturidade. Continuarei sempre vivendo cada dia como se fosse o último, mas sem esquecer que se não for, o amanhã precisa ser sempre muito melhor.
Pois é, depois de uns anos, o jargão “vai dar tudo certo no final” perde um pouco o sentido, porque você descobre o elemento culpa, o famoso remorso. O que faz sentido, pois se você olhar pra trás e analisar as enrascadas em que já se envolveu, perceberá que se não deu errado, poderia ter sido melhor se tivesse havido um pouquinho de planejamento.
Aí chegamos a um ponto relevante. Planejamento. Será que é sinal de velhice? Não sei não, vamos ver. Quando não somos integralmente responsáveis pelos nossos atos, quer porque a família está sempre pronta a ajudar, quer porque ainda somos jovens demais para entender certas responsabilidades, temos a tendência a nos atirar ao fundo e esperar que no final do poço tenha água e não concreto. Podemos até achar que a queda será grande, mas não o suficiente para matar, isso não. Só que depois que vamos adquirindo mais e mais responsabilidades, cujo sucesso (ou insucesso) depende apenas de nós mesmos, paramos para pensar mais em como iremos conduzir determinados assuntos. Quer um exemplo, o jogo da roleta russa já está na sexta rodada e você sabe que se apertar o gatilho é você quem morre. Nesta situação você não pararia para pensar se vale realmente a pena jogar?
Mudar a forma de atuação na sua própria vida para uma conduta mais segura, não quer dizer que o frisson de viver acabou ou que a vida ficou chata. Nada disso, quando você começa a dar passos mais conscientes, consegue ter mais prazer no resultado, porque foi uma meta que foi atingida. É claro que devem ainda restar os momentos imprevisíveis que deixam a vida excitante e nos faz ter aquele joguinho de cintura para tudo acontecer da melhor maneira possível. Mas, dada a grandiosidade de fatores externos que podem fazer sua vida virar de um dia para outro, um pouco de planejamento e previsibilidade naquilo que depende um pouco mais de você não é nada mal, não acha?
Assim, o que para uns pode ser sinônimo de velhice, para mim nada mais é do que maturidade. Continuarei sempre vivendo cada dia como se fosse o último, mas sem esquecer que se não for, o amanhã precisa ser sempre muito melhor.
quarta-feira, abril 28, 2010
Extremos da Paixão
"Não, meu bem, não adianta bancar o distante lá vem o amor nos dilacerar de novo..."Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro(a)- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo(a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo(a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.
Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.
No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano,e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.
Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolo sem face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.
Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.
Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.
Caio Fernando Abreu no Livro Pequenas Epifanias - Crônicas 1986 - 1995.
Assinar:
Comentários (Atom)