Eu costumava escrever mais. Sabia
que tinha gente ruim no mundo. Mas sempre existiu uma força dentro de mim que
acreditava que as pessoas potencialmente boas eram maioria. Isso faz uns 10
anos. Era mais ingênuo, inocente, acreditava nas pessoas com certa facilidade
que demonstrava uma fragilidade que, de fato existia, mas me fazia sentir bem
mais leve do que hoje. Não era mais ou menos feliz, era apenas menos
desconfiado. Mais leve. O tempo vai passando e a bagagem fica cada vez mais
pesada. Hoje me decepciono mais do que me surpreendo positivamente. Já não
consigo me doar tanto nas minhas relações afetivas e não confio nem na minha
sombra. Costumava ter uma verdade, mas ela já foi moldada tantas vezes e tantas
outras coisas aconteceram no caminho, que distinguir o certo do errado se torna
uma tarefa cada dia mais difícil. Existe sempre justificativa pra tudo. E, de
fato, cada um, no seu infinito particular, tem suas verdades, histórias, passado,
presente e futuro. Mas dói. Dói abrir mão do absoluto pelo relativo. A
fragilidade de ontem é completamente diferente da de hoje, mas continuo frágil.
Tentando entender a dinâmica das relações humanas, cada vez mais sufocadas,
expostas e falsificadas. Tá tudo certo e errado ao mesmo tempo. Salve-se quem
puder. Achava ter o controle de tudo, ou pelo menos da minha própria vida. O
mais difícil foi perceber que são muitos os fatores externos que impactam na
minha trajetória queira eu ou não. É de perder o chão. E se encontrar de novo.
A cada dia. É a dinâmica da própria vida e não vai ficando mais fácil com o
tempo. Mas pode ficar mais leve. A cada caminhada, um pedaço da bagagem pode
ficar por aí. Assim, sem querer, só porque passou. Ou a ferida cicatrizou.
Leveza não é questão de escolha. Um dia eu fico mais leve, no outro um peso só.
E vou caminhando. Tentando entender o impossível, mas não mais com a presunção
de controlar nem a minha vida, muito menos a de todos que estão ao meu redor. Certo
é que eu não tenho mais a absoluta certeza de nada. Mas a vida é muito para eu
segurar em minhas mãos. Quanto mais eu permanecer com os meus braços abertos
melhor. Ainda que nem tudo que venha sejam flores. Então me atiro no escuro
todos os dias esperando, torcendo para que sejam melhores, mas conformado de
que se não forem, tá tudo bem. Viver, por si só, já vale o risco.
sexta-feira, junho 05, 2015
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